
Resumo: Modelos de sobrevivência com fração de cura oferecem vantagens sobre as técnicas usuais, pois eles permitem modelar conjuntamente as distribuições de cura e de sobrevivência. Contudo, em situações envolvendo muitos tempos censurados, ou na presença de covariáveis binárias fortemente desbalanceadas, a maximização da função de verossimilhança pode ser problemática, resultando em estimativas que podem divergir para +/- infinito. Esse problema é conhecido na literatura como verossimilhança monótona, e sua presença nos dados pode dificultar ou até mesmo inviabilizar a interpretação das estimativas. Até onde se sabe, trabalhos que tratam do problema da verossimilhança monótona no modelo de tempo de promoção são escassos ou, possivelmente, inexistentes na literatura. Motivado por um problema da vida real envolvendo pacientes com câncer de pele atendidos no Hospital das Clínicas da UFMG e no Serviço Privado de Oncologia do Aparelho Digestivo de Belo Horizonte, este trabalho propõe uma abordagem baseada na modificação da função escore por meio da correção de Firth, com o objetivo de obter estimativas finitas e mais estáveis. O desempenho da metodologia proposta é avaliado por meio de estudos de simulação de Monte Carlo. Por fim, a aplicação aos dados reais demonstra sua utilidade prática, mostrando que o fator mitose, um importante marcador prognóstico, torna-se estatisticamente significativo sob a abordagem proposta.